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Vanitas: Diálogos Contemporâneos!

Alexandra Ungern

Redes invisíveis, agentes das artes em ação


Andre Filúr -  "Ori#6" 

E o que seriam esses agentes? Nem sempre se percebe que tantas pessoas estão  envolvidas em uma mostra de arte, além dos próprios artistas. Muitos  profissionais atuam no sistema das artes ou nos bastidores, trabalhando na  produção, mediação, circulação e legitimação da arte. Toda essa rede, que faz a  arte existir, depende dessas pessoas. Esse ecossistema é formado por educadores  e mediadores, críticos de arte, curadores, artistas, montadores de exposições,  produtores culturais, galeristas, historiadores e colecionadores. 


Ju Granja - “Mirra” 

É justamente essa rede, na maioria das vezes invisível, que se materializam as  exposições em museus, galerias, espaços autônomos, espaços públicos, feiras de  arte, ou em qualquer lugar onde a arte possa existir, possibilitando ao público  vivenciar esse universo fascinante criado pelos artistas. 


Luna Dy Cortes - “Quem paga a conta?” 

“Redes invisíveis, Agentes das Artes em ação” foi idealizada pelo artista  Luiz83, com larga trajetória; Luiz, além de artista, é montador profissional de  exposições e feiras de arte, tendo trabalhado em grandes museus em São Paulo e  Brasil afora, tratando de equilibrar seu tempo entre sua produção e o trabalho.  Como ele, inúmeros artistas/curadores, professores, montadores, produtores, gestores de espaços autônomos e outros procuram se dividir sem deixar sua  verdadeira paixão: fazer arte. Mostrar ao mundo suas poéticas, distendendo a  nossa compreensão e interrogando questões do momento em que vivemos. Ao  lado da curadora Isabel Villalba, Luiz83 escolheu 27 artistas/agentes para compor  esta coletiva intrigante e diversa no Alê Espaço de Arte, espaço autônomo  localizado no bairro do Brooklin, em SP. Foram meses estudando e escolhendo  obras; Isabel trabalhou para que o diálogo entre essa diversidade fosse possível. Nesse contexto proponho mapear algumas obras dentre as 44 apresentadas nessa exposição.  


Luna Dy Cortes - “Quem paga a conta?” (detalhe)

A obra de Luna Dy Cortes faz a pergunta que não quer calar e a insere no título:  Quem paga a conta? Como artista trans, aponta, em sua obra, uma lista tipo “notinha”, presa a um prego, onde uma bandeira do Brasil em esmalte vermelho  está espetada. A lista contém itens com os quais uma pessoa trans precisa lidar emocionalmente e financeiramente. ex.: psicólogo, documentos, atendimento  médico e cirurgias. Quem paga a conta em um país que enfrenta a transfobia  estrutural e lidera índices de assassinatos de pessoas trans no mundo? 


Emaye Natalia - “Quanta doçura a rainha do açúcar  carrega em seu embornal?” (detalhe) 



A artista Emaye Natalia pesquisa a relação entre a população negra do interior  paulista e a indústria da cana-de-açúcar — importante atividade econômica na  região desde o final do séc. XIX — e apresenta nesta exposição o trabalho de um  grupo de mulheres cortadoras de cana. Em meio a vários objetos que coleta, os  quais chama de livro, encontram-se envases de esmalte vermelho e frascos de  álcool gel, indiretamente contando histórias pessoais vividas por essas mulheres  no campo de trabalho. 


Betto Souza-  “Brinquedos Bélicos”

Uma arma de brinquedo de Betto Souza aparece no espaço através de um QR  code, com realidade aumentada. O artista lança as perguntas em questão na obra  “Brinquedos Bélicos”: “As crianças brincam de arma porque se sentem em  perigo? Ou por que são educadas para a violência?” 


Felipe Chefia - “Wifighagus”

Um software autoral de Felipe Chefia mapeia redes de internet, e os pontos de luz  seguem multiplicando-se como pequenos seres vivos. Aborda questões como  tensões e contradições do impacto do uso da tecnologia em um mundo  constantemente conectado. 


Ju Granja - “Mirra” 

Ju Granja traz para o jardim da galeria nove peças (como os nove meses de  gestação) em cerâmica simulando formas de vulva, alguns com plantas outras  com concreto. Trabalhando com frequência com este material, pretende simular o  ciclo da vida e sua finitude.  


Andre Filúr - Ybyara (Filha da Terra) 

Andre Filúr produz uma escultura de cerâmica emulando um artefato sagrado rodeado de folhas e sementes: um rosto surge de um campo onírico, espiritual,  de olhos fechados que representa algo visto em um sonho. Na sua pintura  exposta na mesma sala, um rosto com forma escultórica lembra carrancas do nordeste brasileiro que são de extrema importância na pesquisa do artista.  Tradicionalmente são fixadas em embarcações que navegam pelo Rio São  Francisco como amuletos de proteção.  


Wilian Souza -“Melhor por último” 

Pedaços de ossos moldados em latão são instalados entre uma composição de  espelhos, discutindo a desigualdade social e a fome, obra do artista Wilian Souza. Outro claro manifesto político e social surge da obra de Luiz83 onde uma sacola  plástica preta, pendurada no teto do espaço, grita “Help” incessantemente.  


Luiz83 - “A última vez...”

Artistas e agentes das artes se manifestando em diversas linguagens atingindo o  publico com sua produção poética, contemporânea e autoral. Poderosa e  intrigante, a exposição articula questões éticas, políticas e sociais, afirmando a  arte como um campo de tensão e leitura crítica do nosso tempo. 

Ficha Técnica

Título: Redes invisíveis: agentes das artes em ação.

Visitação: 17/03/2026 até 11/04/2026 dás 14 horas às 18 horas Endereço: Rua Califórnia, 706 

Idealização: Luiz83 

Curadoria: Isabel Villalba 

Comunicação visual: Claudio Souza

Artistas: Alexandra Ungern, André Filúr, Bruno Amarantes, Betto Souza, Carlos  Evangelista, Ck Martinelli, Danilo Pera, Elenice dos Santos Lourenço, Elton  Hipólito, Emaye Natália, Felipe Chefia, Gustavo Égus, Ju Granja, Juan Castro,  Leonardo Vilella, Luiz 83, Luna Dy Cortés, Marina Souza, Michel Onguer, Otavio  Fabro, Raphael Phanho, Renato De Cara, Ricardo Pereira, Terenah, Thiago Vaz,  Wilian Souza, Yolanda Cipriano


Alexandra Ungern


É artista visual, vive e trabalha em São Paulo. Formada em Culturas Visuais pela Webster University, em Viena, e em Artes Visuais pela Escola Panamericana de Arte (SP), aprofunda sua prática por meio de cursos e orientações com artistas e curadores. Sua pesquisa aborda temas como memória, tempo e afetividade através de múltiplas linguagens.

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