Rafael F. Carvalho
Quantitativo da editora Sabiá: período 1967-1976
1. Introdução
Inicialmente, na pesquisa de mestrado (CARVALHO, 2019), o foco era localizar e reunir referências bibliográficas sobre a história da Editora Sabiá, fundada pelos renomados escritores brasileiros Fernando Sabino e Rubem Braga. A busca pelos livros publicados pela editora não era a prioridade inicial, dada a escassez de informações e a falta de documentação sobre sua história. O objetivo primário era reunir o que já havia sido escrito sobre a Sabiá para, posteriormente, realizar uma reorganização e análise mais detalhada de sua trajetória editorial.
A pesquisa proporcionou o esclarecimento e a compreensão de diversos fatos relativos à Editora Sabiá. A inesperada falta de fontes seguras e corretas evidenciou a necessidade de uma recomposição historiográfica e editorial dessa notória editora, processo esse que ocorreu gradualmente no decorrer da investigação.
No entanto, parecia contraditório pesquisar uma editora sem conhecer e analisar diretamente suas publicações. A maior coleção pública de obras da Editora Sabiá está localizada no Acervo de Escritores Mineiros da Biblioteca Central da Universidade Federal de Minas Gerais, contando com aproximadamente 66 exemplares. Com o tempo, a ideia de reunir o acervo da Sabiá mostrou-se viável, e isso será discutido em mais detalhes adiante.
2. A formação do acervo e a lista de livros
Inicialmente, em 2018, alguns livros da Editora Sabiá foram encontrados casualmente em sebos de Belo Horizonte. Essa fortuita descoberta impulsionou uma busca mais dedicada pelo acervo da editora que, apesar da aparente facilidade em localizar os exemplares — dadas as grandes tiragens que a editora fazia de seus livros (em média, mais de 3.000 por edição) e os preços acessíveis (entre R$ 5,00 e R$ 15,00) — o verdadeiro desafio estava em identificar edições específicas, pois nem todos os livros com o selo da Sabiá eram de interesse para a pesquisa.
Livros, então, foram localizados, mas nem sempre correspondiam à edição inaugural publicada pela Sabiá. Devido à outra prática da Sabiá, que lançava muitas edições da mesma obra, era preciso uma busca mais criteriosa para determinar a edição exata do primeiro lançamento de cada título.
Para superar esse obstáculo, foram definidos critérios de rastreamento específicos para a identificação das edições desejadas:
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Período: livros publicados entre 1967 e 1972.
-
Edição: primeira edição lançada pela Editora Sabiá2.
-
Locais: sebos físicos e online (Estante Virtual, Mercado Livre, Enjoei, sites de sebos virtuais).
A relativa facilidade em encontrar exemplares da Editora Sabiá se explica por ela ser uma expansão do empreendimento editorial anterior, a Editora do Autor (1960-1966). Impulsionada por capital, influência e sucesso financeiro, a Sabiá publicou obras em grandes quantidades. Nesse contexto, Fernando Sabino e Rubem Braga intensificaram sua atuação no campo editorial, editando e reeditando suas próprias obras e as de outros autores.
Um campo é um “sistema” ou um “espaço” estruturado de posições ocupadas pelos diferentes agentes do campo. As práticas e estratégias dos agentes só se tornam compreensíveis se forem relacionadas às suas posições no campo. Entre as estratégias invariantes, encontra-se a oposição entre as estratégias de conservação e as estratégias de subversão do estado da relação de forças existente: as primeiras são mais frequentemente as estratégias dos dominantes, enquanto as segundas correspondem às dos dominados (e, entre eles, mais particularmente, dos recém-chegados” no campo. Essa oposição pode assumir a forma de um conflito entre “velhos” e “novos”, “ortodoxos” e “heterodoxos”, “conservadores” e “revolucionários”, etc. (Catani, 2017, p. 65).
O mestrado forneceu uma bagagem teórica essencial que permitiu à pesquisa não só identificar, mas também adicionar efetivamente os dados dos paratextos dos livros ao corpo de conhecimento existente sobre a Editora Sabiá, demonstrando a importância dessa formação para a continuidade do estudo.
Esse processo foi deflagrado ao analisar o colofão do excepcional livro Nureyev, ilustrado pelo célebre pintor e ilustrador Hector Bernabó, o Carybé (autor de inúmeras capas da editora), que conduziu a visões renovadas, incrementando a compreensão da história da Sabiá.
Imagem 01 – Nureyev, ilustrações de Carybé

Fonte: acervo pessoal do autor
Imagem 02 – Colofão do livro Nureyev, de Carybé

Fonte: acervo pessoal do autor
A data de novembro de 1972 no colofão do livro conflita com a venda da Editora Sabiá, ocorrida em dezembro do mesmo ano. A lista de publicações da editora registra obras posteriores ao livro de Carybé, as quais, dada a venda da Sabiá em dezembro, não poderiam ter sido publicadas nesse curto espaço de tempo. Isso suscita a dúvida sobre como essas publicações posteriores se encaixam no cronograma da editora após a venda e se houve alguma forma de continuidade editorial.
Verificando a bibliografia presente nas edições da editora, percebe-se a falta de informação sobre o ano em que cada livro foi publicado:
Imagem 03 – Lista de livros da Editora Sabiá, contida nos exemplares

Fonte: acervo pessoal do autor
Embora a data de impressão estivesse registrada no colofão e na ficha catalográfica dos livros, Rubem Braga e Fernando Sabino optaram por não organizar a lista de livros em suas edições segundo um critério cronológico. Para os editores, o que importava era o conteúdo publicado, independente da data de lançamento. Começou então a busca pela data específica do lançamento da publicação, por mês e ano. Com isso, durante vários anos, o acervo da Editora Sabiá foi reunido, verificado, exemplares foram substituídos, até que as respectivas edições fossem encontradas.
Após a verificação pormenorizada dos livros, percebeu-se que a editora teve uma curta existência, simbólica, após sua venda para a José Olympio. O resultado da análise de todos os paratextos permitiu determinar as datas precisas de lançamento, oferecendo uma nova perspectiva sobre a Sabiá. Dada sua relevância nos meios literário, cultural e editorial brasileiros, ela permaneceu viva, ainda que brevemente, durante a nova administração.
Propõe-se, a seguir, segundo o critério cronológico da impressão de cada obra, uma nova lista de livros publicados pela Editora Sabiá:
Tabela 01 – Lista de livros publicados pela Editora Sabiá, conforme o ano de publicação de cada obra:
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Bibliografia Completa 1967 – 1976 |
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1967 |
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|
AUTOR |
TÍTULO |
DATA DE PUBLICAÇÃO |
GÊNERO |
|
|
1 |
Vinícius de Moraes |
Antologia Poética |
Setembro de 1967 |
poesia |
|
2 |
Vinícius de Moraes |
Livro de Sonetos |
Setembro de 1967 |
poesia |
|
3 |
Fernando Sabino |
A Mulher do Vizinho |
Setembro de 1967 |
crônica |
|
4 |
Fernando Sabino |
A Inglesa Deslumbrada |
Novembro de 1967 |
crônica |
|
5 |
Stanislaw Ponte Preta |
FEBEAPÁ – 2 |
Novembro de 1967 |
crônica |
|
6 |
Rubem Braga |
A Traição das Elegantes |
Novembro de 1967 |
crônica |
|
7 |
Paulo Mendes Campos |
A Hora do Recreio |
Novembro de 1967 |
crônica |
|
8 |
José Carlos de Oliveira |
A Revolução das Bonecas |
Novembro de 1967 |
crônica |
|
9 |
João Cabral de Melo Neto |
Morte e Vida Severina |
Novembro de 1967 |
teatro |
|
57 |
Clarice Lispector |
Laços de Família |
Novembro de 1970 |
conto |
|
58 |
Carlos Drummond de Andrade |
Antologia Poética |
Novembro de 1970 |
poesia |
|
59 |
Paulo Moreira da Silva |
O Desafio do Mar |
Dezembro de 1970 |
político |
|
57 |
Clarice Lispector |
Laços de Família |
Novembro de 1970 |
conto |
|
58 |
Carlos Drummond de Andrade |
Antologia Poética |
Novembro de 1970 |
poesia |
|
59 |
Paulo Moreira da Silva |
O Desafio do Mar |
Dezembro de 1970 |
político |
|
57 |
Clarice Lispector |
Laços de Família |
Novembro de 1970 |
conto |
|
58 |
Carlos Drummond de Andrade |
Antologia Poética |
Novembro de 1970 |
poesia |
|
59 |
Paulo Moreira da Silva |
O Desafio do Mar |
Dezembro de 1970 |
político |
|
1971 |
||||
|
AUTOR |
TÍTULO |
DATA DE PUBLICAÇÃO |
GÊNERO |
|
|
60 |
Philip K. Dick |
O Homem do Castelo Alto |
Janeiro de 1971 |
romance (Coleção Asteroide) – 2 |
|
61 |
Edmond Hamilton |
O Rei das Estrelas |
Maio de 1971 |
romance (Coleção Asteroide) – 3 |
|
62 |
Otto Lara Resende |
O Retrato na Gaveta |
Junho de 1971 |
conto |
|
63 |
Otto Lara Resende |
O Braço Direito |
Junho de 1971 |
romance |
|
64 |
Theodore Sturgeon |
O Homem Sintético |
Junho de 1971 |
romance (Coleção Asteroide) – 4 |
|
65 |
Clarice Lispector |
A Cidade Sitiada |
Agosto de 1971 |
romance |
|
66 |
Mario Vargas Llosa |
A Casa Verde |
Agosto de 1971 |
romance |
|
67 |
Carlos Drummond de Andrade |
A Bolsa e a Vida |
Agosto de 1971 |
crônica |
|
68 |
Vinícius de Moraes |
Para uma Menina com uma Flor |
Setembro de 1971 |
crônica |
|
69 |
Rubem Braga |
A Cidade e a Roça |
Outubro de 1971 * |
crônica |
|
70 |
Rubem Braga |
O Conde e o Passarinho |
Outubro de 1971 * |
crônica |
|
71 |
Philip José Farmer |
Carne |
Outubro de 1971 |
romance (Coleção Asteroide) – 5 |
|
72 |
Pablo Neruda |
20 Poemas de Amor e uma Canção Desesperada |
Outubro de 1971 |
poesia |
|
73 |
Dante Milano |
Poesias |
Outubro de 1971 |
poesia |
|
74 |
Oswaldo França Júnior |
Jorge, um Brasileiro |
Novembro de 1971 |
romance |
|
75 |
Clarice Lispector |
Felicidade Clandestina |
Novembro de 1971 |
conto |
|
76 |
Lysette A. Gomes Raymundo Maria Cristina D. Leal Cláudio Murilo Leal Vinícius de Moraes |
Eu Gosto de Ler (Nível 2) |
Novembro de 1971 |
didático |
|
77 |
Stanislaw Lem |
Solaris |
Dezembro de 1971 |
romance (Coleção Asteroide) – 6 |
|
78 |
Luís Martins |
João do Rio – Uma Antologia |
Dezembro de 1971 |
crônica |
|
79 |
Carlos Drummond de Andrade Clarice Lispector Fernando Sabino Manuel Bandeira Paulo Mendes Campos Rachel de Queiroz Rubem Braga |
Elenco de Cronistas Modernos |
Dezembro de 1971 |
crônica |
|
1972 |
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|
AUTOR |
TÍTULO |
DATA DE PUBLICAÇÃO |
GÊNERO |
|
|
80 |
Marisa Raja Gabaglia |
Milho para Galinha, Mariquinha |
Março de 1972 |
crônica |
|
81 |
Nélida Piñon |
A Casa da Paixão |
Março de 1972 |
romance |
|
82 |
Fernando Sabino |
A Companheira de Viagem |
Abril de 1972 |
crônica |
|
83 |
Harry Harrison |
Bill, o Herói Galático |
Maio de 1972 |
romance (Coleção Asteroide) – 7 |
|
84 |
Chico Anísio |
O Batizado da Vaca |
Maio de 1972 |
crônica |
|
85 |
Josué Guimarães |
A Ferro e Fogo / Tempo de Solidão |
Novembro de 1972 |
romance |
|
86 |
Alberto Dines |
Posso? |
Novembro de 1972 |
conto |
|
87 |
Pedro Nava |
Baú de Ossos |
Novembro de 1972 |
memória |
|
88 |
Carybé |
Nureyev |
Novembro de 1972 |
desenho |
|
89 |
Lygia Bojunga Nunes |
Os Colegas |
Novembro de 1972 |
romance |
|
90 |
Oswaldo França Júnior |
O Homem de Macacão |
Dezembro de 1972 |
romance |
|
1973 – Edições José Olympio / Sabiá |
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|
AUTOR |
TÍTULO |
DATA DE PUBLICAÇÃO |
GÊNERO |
|
|
91 |
A. E. Van Vogt |
O Homem Violento |
Janeiro de 1973 |
romance |
|
92 |
Colin Wilson |
O Matador |
Fevereiro de 1973 |
romance |
|
93 |
Kate Wilhelm |
O Ser Assassino |
Fevereiro de 1973 |
romance (Coleção Asteroide) – 8 |
|
94 |
Nélida Piñon |
Sala de Armas |
Abril de 1973 |
romance |
|
95 |
Marisa Raja Gabaglia |
Os Grilos de Amâncio Pinto |
Junho de 1973 |
crônica |
|
96 |
Chico Anísio |
O Enterro do Anão |
Julho de 1973 |
crônica |
|
97 |
Joaquim I. A. Macdowell |
Primeiro Livro de Memórias de Desmedeu Boaventura |
Julho de 1973 |
romance |
|
98 |
Carlos Drummond de Andrade |
Menino Antigo (Boitempo II) |
Agosto de 1973 |
poesia |
|
99 |
Chico Anísio |
É Mentira, Terta? |
Setembro de 1973 |
crônica |
|
100 |
Josué Guimarães |
Depois do Último Trem |
Outubro de 1973 |
romance |
|
101 |
Pedro Nava |
Balão Cativo |
Novembro de 1973 |
memória |
|
102 |
Luís Fernando Veríssimo |
O Popular |
Novembro de 1973 |
crônica |
|
1974 |
||||
|
AUTOR |
TÍTULO |
DATA DE PUBLICAÇÃO |
GÊNERO |
|
|
103 |
Damon Knight |
O Outro Pé |
Janeiro de 1974 |
romance (Coleção Asteroide) – 9 |
|
104 |
Chico Anísio |
A Curva do Calombo |
Maio de 1974 |
crônica |
|
105 |
Nélida Piñon |
Tebas do meu Coração |
Junho de 1974 |
romance |
|
106 |
Robert Heinlein |
Não Temerei o Mal |
Julho de 1974 |
romance (Coleção Asteroide) – 10 |
|
107 |
Oswaldo França Júnior |
A Volta para Marilda |
Outubro de 1974 |
romance |

Conforme se verifica, 19 livros foram publicados após a venda da Sabiá. Nesses quatro anos subsequentes, a José Olympio (JO) publicou novos títulos e republicou as obras da Sabiá, com ambas as logomarcas. Essa estratégia visava transferir o capital simbólico da Sabiá para a JO, estabelecendo uma relação entre as editoras, mostrando aos leitores que uma era, a partir de agora, parte da outra. Com isso, a José Olympio passou a deter cerca de 80% dos autores da literatura brasileira, consolidando-se como a mais importante editora do país. Na segunda metade da década de 1970, a JO relançou esses títulos com novos projetos gráficos, superando as edições originais da Sabiá.
O acordo de venda da Editora Sabiá para a José Olympio (CARVALHO, 2019) continha uma cláusula que impedia os antigos editores de fundarem ou se associarem a editoras concorrentes por um período de três anos. A JO, após a aquisição, não utilizou o logotipo da Sabiá para mais livros, mantendo-o somente nas publicações que possuíam contratos assinados antes de sua venda. Muitos foram mantidos; outros, não tiveram mais edições.
Embora Sou um Povo Ciumento, de Lester Del Rey, tenha sido inicialmente identificado como o último livro da Sabiá, a análise de seus paratextos revelou a existência de uma publicação posterior. Escrito pelo também americano Norman Richard Spinrad, O Sonho de Ferro, apesar de não integrar a bibliografia oficial da editora, merece destaque por participar da Coleção Asteroide, o que o conecta à trajetória da Sabiá.

Fonte: acervo pessoal do autor
Imagem 04 – Paratexto do livro Sou um Povo Ciumento

Fonte: acervo pessoal do autor
O fim das operações da Editora Sabiá ocorreu em agosto de 1976. O que é significativo é que o último livro publicado não trazia o logotipo da Sabiá, exibindo apenas “Coleção Asteroide” na capa. Essa apresentação distinta indica que se trata de uma edição excepcional, posterior, não incluída nos acordos originais entre Sabino e Braga antes da aquisição da Sabiá pela José Olympio.
Após a aquisição, José Sainz continuou a dirigir a “Coleção Asteroide” na nova casa, a partir do oitavo volume.
Imagem 05 – Capa do livro O Sonho de Ferro, de Norman Spinrad

Fonte: acervo pessoal do autor
3. Dados Quantitativos
Com esses dados agora dispostos de forma cronológica, pelos critérios de mês e ano de publicação, propõe-se a representação gráfica dessas informações. O objetivo é oferecer uma nova perspectiva analítica sobre o percurso editorial da Sabiá, permitindo uma visualização clara de sua trajetória:
Gráfico 01 – Gêneros literários publicados (por ano)

Fonte: elaborado pelo autor
O gráfico demonstra a distribuição dos gêneros literários em função da quantidade de livros publicados anualmente. Em prol da clareza e da representatividade, foram excluídas categorias menos frequentes, tais como teatro, biografia, obras didáticas e memórias, conferindo ênfase aos gêneros com maior volume editorial.
Sendo a crônica um gênero praticado pelos próprios editores, não surpreende que tenha sido o mais publicado pela Sabiá, abrangendo quase toda a sua história. Ainda que se veja uma menor quantidade de lançamentos de crônicas em 1970 e 1972, em comparação com outros gêneros, a editora jamais deixou de publicá-las, comprovando sua predominância e o notável sucesso de crítica e vendas, contrariando expectativas negativas em relação à vendagem desse gênero. Do ponto de vista editorial, a publicação de crônicas apresentou uma dinâmica irregular, com picos e quedas, justificada pela valorização de outros gêneros considerados importantes para a Sabiá, como o romance e a poesia, mesmo diante da centralidade da crônica.
Em contraste com a publicação mais oscilante da crônica, o romance apresentou uma trajetória editorial mais linear e equilibrada na Sabiá, como demonstra o gráfico. A razão para essa constância reside, em grande parte, na maior vendabilidade do gênero, potencializada pela publicação de romancistas de grande prestígio e influência na segunda metade dos anos 1960, incluindo Gabriel Garcia Márquez, Clarice Lispector, Manuel Puig e Otto Lara Resende. A expressiva popularidade do Boom Latino-Americano, que florescia na época, também desempenhou um papel decisivo nesse cenário.
A presença da poesia no catálogo da Sabiá estendeu-se por quase toda a gestão de Sabino e Braga, com uma única exceção em 1973 (Menino Antigo, de Drummond). Contudo, a relevância não reside apenas no volume, mas na estatura dos poetas publicados: as representativas Antologias Poéticas de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Vinícius de Moraes, Pablo Neruda, Manuel Bandeira, Jorge de Lima e Jorge Luís Borges. A estratégia de publicar antologias, em vez das obras completas de autores já consagrados (com edições na Editora do Autor e em outras casas, como a José Olympio), visava popularizar a poética, a voz de cada autor. No entanto, a Sabiá publicou e reeditou vários livros de Vinícius, Drummond e João Cabral, indicando uma forte relação com esses poetas. As Antologias Poéticas, impulsionadas pela Sabiá, consolidaram sua identidade e continuam relevantes, nos dias de hoje:
Imagem 06 – As Antologias Poéticas, da Editora Sabiá

Fonte: Acervo pessoal do autor
A decisão de separar a Ficção Científica dos outros romances no catálogo da Sabiá decorreu de uma abordagem específica e diferenciada que a editora adotou para esse gênero.
Todos os livros da Coleção possuem biografias, textos na contracapa e na primeira orelha. Como diz Genette (2009, p. 29): “uma prática que o costume anglo-americano designa com o sugestivo termo blurb (ou, mais ao pé da letra, promotional statement), equivalente ao nosso blá-blá-blá ou conversa de vendedor”, ou seja, uma maneira de promover os livros da Coleção Asteroide. (CARVALHO, 2019).
A Editora Sabiá iniciou suas publicações em 1967, mas somente em 1970 incluiu a Ficção Científica em seu catálogo, sinalizando uma mudança em seu planejamento editorial, motivada por fatores previamente analisados. A publicação desse gênero não era uma prioridade inicial de Sabino e Braga, mas foi impulsionada pela sugestão do crítico literário Fausto Cunha, que percebeu um cenário promissor para a ficção científica no mercado brasileiro (CARVALHO, 2019). O êxito da aposta se manifestou no expressivo número de cinco lançamentos, em 1971. Em 1974, ano de conclusão da maioria dos contratos, a editora publicou apenas cinco livros e nos anos de 1975 e 1976, foram lançados os três últimos títulos, todos pertencentes ao gênero Ficção Científica.
Gráfico 02 – Quantidade de livros publicados (por gênero)

Fonte: elaborado pelo autor
O gráfico acima detalha a quantidade de livros publicados pela Sabiá, distribuídos por gênero literário. A crônica se destaca como o gênero mais editado, correspondendo a 30% da produção total da editora. Esse dado sugere que a Sabiá era, em sua essência, uma editora de crônica, um gênero percebido como de baixo potencial de vendas no mercado editorial brasileiro. Contraditoriamente, autores de crônica como Fernando Sabino, Stanislaw Ponte Preta e Paulo Mendes Campos alcançavam frequentemente as primeiras posições nas listas de mais vendidos durante a existência da Sabiá (CARVALHO, 2019). A projeção editorial da crônica sob a gestão de Sabino e Braga levanta a questão se o prestígio dos editores como cronistas foi o único fator determinante para levar ao sucesso da Sabiá.
A Sabiá inovou ao oferecer uma experiência editorial distinta para os leitores: alta literatura, capas marcantes, cobertura jornalística, lançamentos concorridos. E o mais importante: irreverência. Além disso, a leveza, a familiaridade do cotidiano e a acessibilidade da crônica criaram um elo com os leitores. Essa união de fatores foi crucial para o êxito de vendas dos livros de crônicas da Sabiá.
A Sabiá adotou uma abordagem distinta para o romance. O gráfico revela um importante espaço para o gênero, responsável por 22,7% de seus lançamentos. Essa regularidade reflete a maior facilidade de circulação e a ampla receptividade do romance entre os leitores. Além do volume de publicações, destaca-se a presença de romancistas de grande expressão como Clarice Lispector, Gabriel Garcia Márquez, Nélida Piñon, Oswaldo França Júnior, Otto Lara Resende. Mesmo não sendo o gênero mais publicado, o romance alcançou grande projeção, justificando os investimentos da Sabiá e proporcionando um retorno expressivo de capital para os editores e enriquecendo a cultura e a literatura do Brasil.
A poesia constitui 14,5% do catálogo da Sabiá, e, como já apontado, sua edição exerceu notável influência no cenário literário da época. Para Sabino e Braga, a poesia e a crônica ocupavam um lugar especial em suas escolhas editoriais, seja pela afinidade dos editores com esses gêneros, seja pelo reconhecimento da relevância da poesia produzida por seus autores. É importante ressaltar que Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes, além de poetas, também tiveram contos e crônicas publicados pela editora. Mesmo com a valorização da poesia, a editora soube explorar a versatilidade desses autores, lançando obras importantes para a literatura brasileira.
Gráfico 03 – Quantidade de livros publicados (por ano)

Fonte: elaborado pelo autor
Neste gráfico apresenta-se a quantidade de livros publicados pela Sabiá, por ano. Até o ano de 1970, a editora manteve um número considerável de livros publicados a cada ano, 9, 19 e 20 livros publicados. O começo da editora, em 1967, foi marcante, inaugurando sua trajetória editorial de maneira acachapante. No ano seguinte, 1968, o número de edições dobrou, mostrando que os editores estavam entusiasmados com seu novo selo editorial, publicando não apenas literatura, mas também livros de cunho político, onde demonstravam descontentamento com o regime de exceção imposto no Brasil, a partir de 1964. Com isso, a Sabiá, em 1969, chegou ao pico de seu projeto editorial, ambicionando publicar livros que estimulassem um pensamento crítico dentro do contexto dos anos 1960. Porém, graças a vários acontecimentos (CARVALHO, 2019), houve uma alteração nesse projeto editorial, que levou Fernando Sabino e Rubem Braga a mudar o programa da Sabiá.
O ano de 1970 marcou uma significativa redução no volume de edições da Sabiá, sem, contudo, comprometer a qualidade de seu catálogo. Em decorrência dos acontecimentos precedentes e da subsequente alteração em seu programa editorial, a editora adotou cautela, espaçando suas publicações e concentrando os lançamentos no final do ano, havendo uma paridade entre autores brasileiros e estrangeiros. Tem início a Coleção Asteroide, dando impulso em 1971 à Ficção Científica, gênero que, de certa forma, substituiu a temática política em suas publicações. Segundo La Rocque:
Desde o século XIX o gênero provou ser um veículo ideal para registrar tensões na definição da identidade nacional e do processo de modernização. Essas tensões são exacerbadas na América Latina e, por isso, a produção da ficção em países como Brasil, Argentina e México, grandes representantes desse gênero no continente, é muito mais politizada do que a escrita nos países do Norte. No Brasil, o gênero ajudou a refletir uma agenda política mais concreta e os escritores, ontem e hoje, estão mais intimamente envolvidos com os rumos futuros de seu país e usaram o gênero nascente não apenas para circular suas ideias na arena pública, mas também para mostrar aos seus compatriotas suas opiniões sobre a realidade presente e suas visões sobre um tempo futuro, melhor e mais moderno (LA ROCQUE, 2012, p. 77).
Gráfico 04 – Autores mais publicados pela Sabiá

Fonte: elaborado pelo autor
O Gráfico 04 revela os autores mais publicados pela Sabiá, com destaque para seus proprietários. Esses dados corroboram a noção de que a Sabiá foi, em certa medida, concebida para dar vazão à obra de seus criadores. Apesar de ter editado autores de grande relevância para a literatura brasileira, a intenção ia além da simples autopromoção: Sabino e Braga buscavam capitalizar seu prestígio como autores para aumentar as vendas e gerar receita, estratégia já experimentada na Editora do Autor.
Clarice Lispector havia tido experiências editoriais insatisfatórias no início de sua carreira nos anos 1950, o que, segundo Hallewell (2005), limitava a visibilidade de seus livros. No entanto, o suporte dessas duas editoras foi fundamental para que a autora alcançasse um público mais amplo, permitindo que sua obra encontrasse, finalmente, um vasto número de leitores.
Gráfico 05 – Autores mais publicados pela Sabiá (por ano)

Fonte: elaborado pelo autor
O Gráfico 05 ilustra o percurso editorial dos autores mais publicados pela Sabiá, ao longo de seus anos de atividade. Constata-se uma publicação mais constante de Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes, com aproximadamente um livro por ano. Considerando que ambos os autores também publicavam livros por outras editoras, surge uma questão crucial que talvez capture a essência da Editora Sabiá:
-
Qual a motivação para publicar livros pela Sabiá, em detrimento de outras editoras de qualidade, como a José Olympio, Civilização Brasileira, etc?
Para entender a motivação por trás da Sabiá, é essencial analisar o contexto editorial em que Fernando Sabino e Rubem Braga já atuavam há décadas. Exemplos como as cinco edições de “O Encontro Marcado”, de Sabino, pela Civilização Brasileira, e Rubem Braga já ser um autor consagrado com livros publicados pela José Olympio antes de 1960, ilustram que a Sabiá emergiu da iniciativa de um grupo de intelectuais com um histórico de colaboração e visões compartilhadas a respeito do mercado editorial.
A resposta a essa indagação reside na singular mentalidade que norteava a concepção da edição de livros por Sabino e Braga. Além dos aspectos técnicos inerentes ao processo editorial – diagramação, a criação de capas, o registro e a comercialização das obras – a edição era concebida como um evento de celebração. Em contraposição à solenidade e ao formalismo dos lançamentos que então predominavam em livrarias, protagonizados por figuras de semblante austero, a Sabiá tornava a edição um momento festivo, propício ao convívio entre amigos. O lançamento da obra era uma data alegre, marcada pela presença dos confrades, da beleza feminina, da cobertura da imprensa, a exaltação da alta literatura, pela sonoridade da música. Elizete Cardoso vendia livros para os editores/autores e também autografava seus discos. Publicar sob o selo da Sabiá constituía, assim, um atestado de prestígio, qualidade e popularidade.
Stanislaw Ponte Preta, o grande Sabiá
O jornalista e cronista Sérgio Porto, sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, desempenhou um papel de destaque na Editora Sabiá. Sua ligação com os editores já existia através da Editora do Autor, onde publicou, como Sérgio Porto, A Casa Demolida (1963) e a primeira edição do Febeapá (1966). Em 1967, ao lançar a Editora Sabiá, o Febeapá II era um dos 7 livros que inauguraram a nova casa editorial.
Em 1968, a edição de Stanislaw na Sabiá foi notável, com a publicação de cinco livros: Febeapá I, Tia Zulmira e Eu, Primo Altamirando e Elas, Garoto Linha Dura, Na Terra do Crioulo Doido (Febeapá III) – A Máquina de Fazer Doido, todos alcançando grande sucesso. Segundo Rubem Braga:
Até agora já lançamos: o livro de Sérgio Porto, Stanislaw Ponte Preta, o “2.o Festival de Besteiras que assola o país”; o 1.o Festival foi lançado pela Editora do Autor, e vendeu mais de 40.000 exemplares, num espaço de tempo muito pequeno. O 2.o, o “Febeapá II”, como ele diz, vendeu duas edições em dez dias, praticamente. Ainda existe nas livrarias, mas nas distribuidoras não existe mais. Já estamos rodando a 3.a e a 4.a edições 5000 exemplares cada uma. Eu acho que é um livro que tem sucesso porque é um livro de sátira. Sérgio não escreve nada. Aproveita a besteira dos outros (Revista Realidade, 1968. p. 44).
O imenso sucesso dos livros de Stanislaw Ponte Preta o estabeleceu como o principal autor da Sabiá. Suas crônicas bem-humoradas personificavam e incorporavam esse espírito irreverente da editora.
A morte precoce e inesperada de Sérgio Porto em 1968 marcou profundamente a Sabiá que, dentre outros fatores, transformou a mentalidade da editora, tendo como consequência a venda para a José Olympio. Fernando Sabino comentou:
Depois Sérgio Porto morreu e de certa maneira perdemos a graça. Continuamos escrevendo como Deus é servido, cada um a seu modo, mas um dia a literatura se tornou apenas literatura, de repente. Rubem Braga deu um bocejo, Carlinhos deixou crescer a barba, Vinícius deixou crescer os cabelos, Paulinho foi para Petrópolis. Só eu fiquei, diante da fotografia na parede, pensando: sou o último dos profissionais. Mas virão outros – concluí, tirando a gravata. E apaguei a luz e saí, tendo o cuidado de fechar a porta atrás de mim. (Jornal do Brasil, dois de setembro de 1974).
A Editora Sabiá relançou Rosamundo e os Outros em fevereiro de 1969, em terceira edição. Embora Stanislaw já tivesse falecido, não era uma obra póstuma, pois suas edições anteriores foram pela Editora do Autor. Desde o início da década de 1960, Sabino e Braga foram os editores centrais de Stanislaw Ponte Preta, como ilustrado na Imagem 07.
Imagem 07 – Lista de livros de Stanislaw Ponte Preta

Fonte: acervo pessoal do autor
Devido ao grande volume de vendas, às inúmeras edições de suas obras, à qualidade de suas crônicas e ao contexto em que foram produzidas, Stanislaw materializou o projeto editorial da Sabiá. Sua morte levou à dissolução daquele grupo de escritores e motivou os editores a buscarem outros caminhos, diferentes daquele imaginado inicialmente.
No que se refere aos outros autores – Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Vinícius de Moraes e Fernando Sabino – seus livros foram publicados de forma mais regular e espaçada durante a administração dos dois cronistas. Um aspecto interessante é que Clarice Lispector manteve uma média de dois livros publicados por ano (exceto em 1970), o que demonstra o apoio de Fernando Sabino ao seu trabalho. Mesmo considerando a importância e a qualidade intrínseca de sua obra, é justo reconhecer que Clarice Lispector se tornou a grande escritora que é graças às editoras de Fernando Sabino e Rubem Braga.
Rubem Braga e Fernando Sabino, enquanto autores, seguiram uma trajetória editorial similar, relançando suas obras pelo novo e prestigiado selo. Alguns títulos permaneceram editados pela Editora do Autor, pois havia ainda muitos livros em estoque, sendo mantidos à venda junto dos livros da Sabiá. Dessa forma, ambos investiam em seu próprio trabalho, beneficiando-se financeiramente de suas carreiras, em uma união de vantagens: geração de receita para ambos e publicação de seus livros por uma editora de renome.
A experiência editorial do colombiano Gabriel Garcia Márquez com a Sabiá limitou-se a dois anos, um período de grande retorno financeiro para a editora, com vendas elevadas que explicam o grande número de publicações em tão pouco tempo. No entanto, os eventos de 1968 – a morte de Stanislaw Ponte Preta e o AI-5 – marcaram uma mudança na trajetória da Sabiá, que começou a publicar escritores fora de seu círculo. Essa nova fase demandou um tratamento específico para esses autores, considerando a maior amplitude de suas obras, o que requeria uma nova forma de atuação (CARVALHO, 2019).
4. Panorama Sabiá: números, obras e autores
Com o objetivo de dar continuidade à análise quantitativa, a lista de autores é agora organizada de forma distinta:
Tabela 02: autores publicados pela Sabiá
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Fonte: elaborado pelo autor
A Tabela 02 exibe alfabeticamente os autores publicados pela Editora Sabiá (considerando 108 dos 110 livros editados, com a exclusão das obras coletivas Eu Gosto de Ler (Nível II) e Elenco de Cronistas Modernos. O propósito é detalhar, para cada autor(a), sua(s) obra(s) e a quantidade de cada livro publicado.
Uma vez que as informações foram organizadas desta maneira, a lista de autores se estrutura da seguinte forma:
Tabelas 03 e 04 – Autores x quantidades de livros editados

Fonte: elaborado pelo autor
Tabela 04

Fonte: elaborado pelo autor
Simplificando:
Tabela 05
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36 autores
1 livro |
18 autores
7 autores – 2 livros 1 autor – 3 livros 3 autores – 4 livros 3 autores – 5 livros 4 autores – 7 livros |
Fonte: elaborado pelo autor
Observa-se que 36 autores da Sabiá tiveram apenas um livro publicado, contrastando com 18 autores que contaram com mais de uma publicação. Essa distribuição revela uma estratégia da editora de investir tanto em obras específicas quanto na construção e consolidação da carreira de vários escritores:
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18 autores com mais de um livro (72 títulos) – 66,6% dos livros.
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36 autores com um livro (36 títulos) – 33,3% dos livros, totalizando 108 livros publicados.
5. Considerações finais
Conclui-se, portanto, que a Editora Sabiá manteve a tradição de valorizar seus editores e círculo próximo, focado no controle da edição e no lucro com as próprias obras. A Sabiá também publicou outros autores consagrados e obras de grande relevância; contudo, a análise dos dados reafirma os princípios norteadores de ambas as editoras fundadas por Rubem Braga e Fernando Sabino. A distinção reside no fato de que a Sabiá, como apontado por Carvalho (2019), teve um alcance e impacto significativamente maiores no panorama editorial brasileiro, atuando de setembro de 1967 a dezembro de 1972, e posteriormente, até agosto de 1976.
A Editora Sabiá operou como uma plataforma central para uma elite literária, permitindo-lhes editar, produzir e lançar seus próprios trabalhos. Como resultado, essa elite exerceu um controle significativo sobre o cenário da leitura no Brasil, período em que Fernando Sabino e Rubem Braga estiveram à frente da editora. A Sabiá deixou uma marca indelével na edição de livros no país, notável por sua irreverência e pela ousadia em publicar obras que buscavam instigar o pensamento crítico durante os anos opressores da ditadura militar.
BIBLIOGRAFIA:
BOURDIEU, Pierre. As regras da arte. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
CARVALHO, Rafael Fernandes. A editora do passarinho: um estudo sobre a Editora Sabiá. Dissertação (Mestrado) – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens, Belo Horizonte, 2019.
CARVALHO, Marco Antônio de. Rubem Braga: um cigano fazendeiro do ar. 2.a edição. São Paulo: Biblioteca Azul, 2013.
GENETTE, Gérard. Paratextos Editoriais. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009. HALLEWELL, Laurence. O Livro no Brasil. São Paulo: EDUSP, 2005.
LA ROCQUE, Lucia de. Literatura e imagens de ficção científica: perspectivas entre as ciências e as artes, relações possíveis para a formação de professores no ensino de ciências. In: HARRIS, Leila Assumpção. A Voz e Olhar do Outro. Volume IV. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2012.
Rafael F. Carvalho

Rafael F. Carvalho é bacharel em Letras (Português) pela Universidade de São Paulo (2003), com curso de extensão universitária em Edição pela Universidade do Livro - Unesp (2010). Mestre em Edição pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens (2019) pelo Cefet/MG e professor licenciado pelo Programa de Formação de Docentes do Cefet/MG (2017). Possui experiência na cadeia produtiva do livro, em livrarias e pequenas editoras. É autor de obras literárias publicadas pela editora Patuá: A Estante Deslocada (2011), A Cor do Sal (2012), Terceiro Livro (2015) e BR-381 (2022). Autor da Coleção Leve um Livro (2017) e do livro de poesia Bambuzal (2017), pela Editora Moinhos. Em 2025 publicou o livro A Editora do Passarinho: Um estudo sobre o legado da Editora Sabiá de Fernando Sabino e Rubem Braga
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