A literatura negro-brasileira e a atividade crítica em seu entorno
Jorge Augusto
Questões políticas e epistemológicas - Debate sobre a literatura negro-brasileira
O curso investirá no debate sobre a literatura negro-brasileira e a atividade crítica que se desenvolve em seu entorno. Partiremos da obra de Lima Barreto, mas dialogando com outros autores, para discutir questões como, o lugar que as autorias negras ocupam nas classificações e periodizações da literatura nacional; os modos como suas obras têm sido recepcionadas pela crítica autorizada; como também, os aspectos estéticos, políticos e epistemológicos com os quais certas autorias vem operando um devir negro na literatura brasileira.
Carga horária: 6 horas
Duração: 3 encontros de 2 horas
Dias: 2/11; 9/11; e 16/11 (segundas-feiras, das 19h30 às 21h30)
Público-alvo: estudantes, professores e demais interessados.
Encontro 1 – O caso Lima Barreto - na historiografia da Literatura Brasileira
Spoiler: Nesse bloco partiremos de um breve debate sobre os projetos de nacionalidade, no Brasil, para discutir as motivações políticas e epistêmicas que alicerçam a taxonomia de pré-modernista conferida ao escritor Lima Barreto. Buscaremos mostrar como essa nomenclatura é inapropriada para a compreensão da obra do autor, e, ainda, apresentar as formas controversas como esse lugar de “pré-moderno” tem sido questionado pela crítica literária brasileira, nos últimos anos.
Encontro 2 – Dinâmicas de inclusão na crítica de literatura negra
Spoiler: No segundo encontro investiremos em discutir a recepção crítica de literatura negra no Brasil, produzida a partir de aportes teóricos mais recentes no campo da literatura, tanto do lado de uma crítica mais tradicional, como do lado dos que assumem uma postura de insubmissão ao cânone e a tradição crítica. Investiremos em mostrar como, entre uma e outra propostas, a leitura da obra de Lima Barreto ainda é feita em grande medida por meio de abordagens sociológicas e historicizantes.
Encontro 3 – Estética e política em Lima Barreto
Spoiler: No encontro final a ideia é apontar as rasuras, cisões e fissuras entre a obras de Lima Barreto e a tradição da literatura brasileira, buscando apontar outro lugar para a obra do autor carioca no campo da historiografia e da crítica, no Brasil. Nos valeremos nesse tópico de análises de pontos chaves de alguns de seus romances mais conhecidos, no intuito de ilustrar o que temos chamado de Modernismo negro.
Referências bibliográficas:
AUGUSTO, Jorge. Modernismo Negro: a literatura de Lima Barreto. Salvador: Segundo Selo, 2024.
AUGUSTO, Jorge. Contemporaneidades Periféricas (org). Salvador: Segundo Selo, 2018.
BARRETO, Lima. Obra reunida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018. (Volume II).
CUTI. Literatura Negro-brasileira. São Paulo: Selo Negro, 2010.
FREITAS, Henrique. Literatura-Terreiro: letramentos negros, pilhagem epistêmica e iniciação a herança africana na literatura brasileira. Salvador: Segundo Selo, 2025.
OLIVEIRA, Silvio Roberto dos S. Gamacopeia (des)fabulações poéticas de Luiz Gama. Salvador: Ogum´s Toques negros, 2025.
SOUZA, Florentina da Silva. Afrodescendência em Cadernos Negros e jornal do MNU. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.
MIRANDA, Fernanda R. Silêncios PrEscritos – Estudos de romances de autorias negras brasileiras (1859 – 2006). Rio de Janeiro: Malê, 2019.
PEREIRA, Edmilson de Almeida. Entre Orfe(x)u e Exunouveau. Rio de Janeiro: Azougue editorial, 2017.
MARTINS, Leda Maria. Afrografias da memória. Belo Horizonte: Mazza edições, 1997.
Jorge Augusto
Jorge Augusto é poeta e professor, soteropolitano do bairro da liberdade. Doutor em Literatura e Cultura e docente da UESB e no PPGLITCULT, na UFBA. É autor dos livros: Contemporaneidades periféricas (org), O mapa de Casa, Muvuca e Modernismo Negro, com o qual foi premiado com Jabuti Acadêmico, 2025. Tem diversos textos, poemas e entrevistas publicados em jornais e revistas e colabora como editor na Editora Organismo/Segundo Selo, coordenando as coleções Na Encruza, Contemporaneidades e a revista de Literatura Brasileira Organismo.
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